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terça-feira, 25 de março de 2014

Tudo preparado para o 4º. Fórum do Trabalho

Fechando o mês de no qual se comemora o Dia Internacional da Mulher, o vereador Paulo Malerba promove o 4º.  Fórum do Trabalho com o tema: Mulheres no mundo do trabalho: desafios e perspectivas, que contará com a participação de Liliana Segnini, Prof. Doutora da UNICAMP e Sônia Coelho, Coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres.
Segundo o vereador, a escolha do tema se deu pela predominante desigualdade existente no mundo do trabalho: "Nós sabemos que o ambiente do trabalho é um espaço machista, sendo também do mundo do trabalho que advém a autonomia da mulher", comentou.

Como preparação, lançou a pergunta em sua página oficial no Facebook: "Qual tema não pode ficar de fora desta discussão?". Foram diversas respostas, que serão apresentadas durante o Fórum. (Clique aqui para visualizar a enquete e um resumo)

O evento ocorrerá na Câmara Municipal de Jundiaí, nesta quinta-feira, dia 27 de março, às 19h e contará com a presença de direções sindicais e de representações de classe com sede em Jundiaí. O evento ganhou força a partir da confirmação da presença de movimentos feministas da região ligadas ao MMM.

A ideia de um Fórum permanente para discussão de questões do trabalho na perspectiva dos trabalhadores nasceu da ausência de espaços como estes em nossa cidade:  "Com a presença majoritária de estudantes e representantes sindicais o Fórum do Trabalho vai se formando como um proeminente espaço de reflexão para a ação dos trabalhadores em Jundiaí”.

Nas três edições ocorridas em 2013 o Fórum do Trabalho contou com a participação de mais de 250 pessoas e reflexões de alto nível. Os temas foram:  "Os desafios do mundo do Trabalho",  "Modernizar a CL T?"  e  "Os trabalhadores e as mobilizações populares" com a participação como palestrantes Jorge Souto Maior, Juiz do Trabalho, Professor da USP; Ricardo Berzoini, Deputado Federal Ricardo Berzoini e Ex-Ministro da Trabalho e Previdência e Doutor em Ciência Política Prof. Armando Boito da UNICAMP.

Saiba mais sobre as debatedoras

 
Sônia Coelho, integrante da organização feminista SOF afirma que “o Brasil é o sétimo país do mundo onde mais se assassinam mulheres, outro campo que é frágil para as mulheres são os espaços de poder, onde somos minoria absoluta, e, apesar da crescente participação da mulher no mercado de trabalho, ainda recebemos menos do que os homens para os mesmos cargos. Ainda há um discurso machista muito forte na sociedade brasileira.”

Além de ser professora titular da UNICAMP, Liliana Segnini é autora de diversos livros, artigos e pesquisas sobre as relações gênero, sociologia do trabalho e economia. Ganhadora do Prêmio Jabuti 2010 na categoria "Melhor Livro de Economia, Administração e Negócios" - Guimaraes, Nadya, Hirata, Helena, Sugita, Kurumi (org.) Trabalho Flexível, Empregos Precários. EDUSP, Câmara Brasileira do Livro; Prêmio Luis Espinal 2007 - 2ª. Mostra CineTrabalho. O Trabalho da Mulher nos Bancos (Documentário, VHS, (SP) 1993 - 41 ). Direção: Taunay Daniel, Produção: Liliana Segnini e Amilton Moretto, UNESP -Marilia (Coordenação: Giovanni Alves e Elson Menegazzo.

quarta-feira, 12 de março de 2014

A divisão sexual do trabalho como base material das relações de gênero


Por Nalu Faria
Psicóloga, Integrante da SOF 
(Sempreviva Organização Feminista) 
e da Marcha Mundial das Mulheres.  

A divisão sexual do trabalho está na base social da opressão e da desigualdade. Em primeiro lugar, é preciso destacar que ela é histórica, ou seja, foi sendo constituída, não é imutável. Mas tem princípios que permanecem; o que modificam são as modalidades. Isso nos ajuda a pensar sobre a permanência dessa desigualdade. Danièle Kergoat, que foi muito importante para sistematizar esse conceito, considera que há dois princípios organizadores da divisão sexual do trabalho. Um deles é a separação, essa ideia que separa o que é trabalho de homens e de mulheres. Outro é a hierarquia, que considera que o trabalho dos homens vale mais do que o das mulheres. 



Uma das principais justificativas ideológicas para a divisão sexual do trabalho é a naturalização da desigualdade, que empurra para o biológico as construções sociais e as práticas de homens e mulheres. Ou seja, atribui a uma essência biológica, como parte da natureza, a construção do masculino e do feminino. Mas é preciso articular a ideologia, a reprodução simbólica, com a existência de uma base material.

Neste sentido, é importante chamar atenção para o fato de que, muitas vezes, o conceito de divisão sexual do trabalho fica reduzido às estatísticas sobre as diferenças de inserção no mercado de trabalho de homens e mulheres. Isso não dá conta da complexidade deste conceito, que faz parte de um processo da luta e da organização feminista, e que busca justamente entender como se transforma em desigualdade o trabalho entre homens e mulheres.